Rio Doce Terra

# Academia (J.A.Barreto)

Conforme o ritual acadêmico, ao ser empossado como membro da Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais, pronunciei o seguinte discurso:
Minha mãe e meu pai precisavam estar aqui: ficariam felizes me vendo nesta tribuna. Dona Geralda Vieira de Brito, minha professora no curso primário, também: os três encontrariam razões para esta cerimônia.
Sem eles, como explicar eu estar aqui, falando a um auditório tão ilustre?
Tenho nada a oferecer a esta Academia. E, velhinho como estou, terei pouco tempo para usufruir das riquezas que por aqui circulam.
Como explicar meu ingresso na AMULMIG?
Conta aquele caso do velho barbudo, talvez minha mãe sugerisse. Dona Geralda nos incentivava a ler, lia conosco e lia para nós. “Os cisnes selvagens”, “O gato de botas” a “Gata Borralheira” “Aladim e a lâmpada maravilhosa”, “O Patinho Feio”, “Ali Babá e os Quarenta Ladrões”... histórias de fadas, reis e princesas, feiticeiros, bruxas e monstros. Mandava que fizéssemos redações (falávamos composições). Ela sabia, imagino, como essas histórias, esses contos de fadas, seriam importantes para os alunos. Importantíssimos para mim. Em outro tipo de exercício, ela começava histórias que nós deveríamos concluir. A do velho barbudo foi assim:
“Bateram à porta lá de casa. Fui abrir. Era um homem velho, sujo e barbudo...
Continuei escrevendo que senti pena dele, que o atendi com carinho, que lhe dei comida e um copo dágua, por aí .
A professora me deu um dez, não poupou elogios à composição, principalmente porque os colegas tinham inventado que o velho nas histórias deles era malvado, perigoso, poderia ser um ladrão. Me deu parabéns e à minha mãe também. Minha mãe já me via escrevendo romances...
E o caso do Aristides? Minha mãe insistiria: conta o caso do Aristides.
Na noite da formatura de minha turma no curso científico, no Teatro Francisco Nunes lotado, houve homenagens, como de costume. Tínhamos um colega que ganhava dez em todas as provas, em todas as matérias, o tempo todo... Esse colega, uma vez, trincou um osso, engessaram-lhe o braço e ele saiu do hospital e voltou para o Colégio. Em todo o ano letivo, o danado desse menino só perdeu duas aulas, por causa do braço quebrado. Nunca faltou nem chegou atrasado.
Para ele, que se chama Aristides Camargos Barreto, (não é meu parente, embora o sobrenome) o Teatro Francisco Nunes quase veio abaixo, tão prolongados foram os aplausos. Muito merecidos, afinal tirava dez em tudo, não perdia aula nem com o braço quebrado... Ele, consciente de seu valor, adolescente superdotado, ou criança índigo ou cristal, como dizem agora os esotéricos, já fazia quadrinhas, imaginem, era poeta também. Uma dessas era mais ou menos assim:
“Na teoria ou na prática,\Com tirocínio profundo, \Em inglês ou matemática, \Eu dou banho em todo mundo”.
Claro que, ao menos para agradar a minha mãe, eu tentava chegar perto dele. Mas como? O Aristides ganhava dez, só dez, sempre dez... em todas as provas, em todas as matérias! Em matemática também! E fazia quadras! E ainda foi para o Colégio de osso trincado e braço engessado!... quem pode concorrer com um colega assim?
Mas, porém, todavia, contudo... a diretoria do Colégio promoveu um concurso entre nós, os formandos: deveríamos escrever uma monografia, desenvolvendo o tema “A Máquina e a Técnica”. O Colégio era da Prefeitura, e o prêmio seria de mil cruzeiros, um dinheirão! Seria entregue ao vencedor pelo próprio prefeito, no dia da formatura!
Pois é, pensam que o Aristides ganhou o concurso e levou a grana para casa?
Ganhou não, o sortudo fui eu! A plateia no Francisco Nunes teve de reservar para mim ao menos um pouco dos muitos aplausos daquela noite. Minha mãe e meu pai bateram muito mais palmas para mim que para o Aristides...
Mas isso também não me daria o direito de estar aqui...
Minha “inteligência”, que só meus pais e dona Geralda viam e aumentavam, parece que parou por ali. Na verdade, ainda passei em concurso que me abriu as portas do então poderoso Departamento de Estradas de Rodagem de nosso Estado. Fui aprovado em outro concurso para a ainda mais poderosa Petrobrás. Passei no vestibular da Faculdade de Filosofia de nossa universidade e prestei serviço militar no CPOR. Tudo quase ao mesmo tempo. Minha mãe me achava o máximo, mesmo que a espada que me emprestaram para a cerimônia militar de formatura fosse quase maior do que eu.
Fora isso, nada, nenhuma façanha que me fizesse merecedor de aqui estar nesta tribuna.
Em meu favor, posso dizer que passei o curso primário, o ginasial e o científico sem nunca ter tido todo o material exigido pelos professores. Livros, só tinha os que ganhava de segunda, às vezes de terceira mão. Só tive um novinho, no primeiro dia da primeira série do ginasial, presente não sei mais de quem, “Le Français appris sans peine”, o francês aprendido sem sofrimento. gostaram da pronúncia? Francês com sotaque do Carlos Prates...
Só tive todos os livros pedidos pelos professores quando já estava quase saindo do colégio: é que tinha conseguido meu primeiro emprego! Adolescente caminhando para a maturidade, me senti criança mimada! como gostei do cheirinho de meus livros novos, todos, até de Física, de Química, de Biologia! Um luxo!
Fui expulso de sala duas vezes – expulso não, convidado a retirar-me – pelo professor de Desenho, porque eu não tinha nem réguas, nem esquadros, nem compasso.
Sabem quem era o professor de Desenho? O Fernando Pierucetti, conhecido como Mangabeira, o criador dos símbolos do Atlético, do América, do Cruzeiro, do Vila Nova, o galo, o coelho, a raposa, o leão, dos bichos símbolos dos outros clubes também.
Tivemos sorte, meus colegas e eu: no então único Colégio Municipal de Belo Horizonte, que iniciou suas atividades no Parque Municipal, em 1.948, nossos professores eram de altíssimo nível: além do Mangabeira, gente como José Lourenço de Oliveira, Gérson de Britto Melo Boson, Maria Luísa Ramos, Geraldo Sardinha Pinto, Honorina Prates Campos, José dos Prazeres, Henrique Morandi, Hamilton Leite, Marcel Debrot, Dilza Reis, Onofre Gabriel de Castro e outros, a maioria deles se tornando depois professores da UFMG.
Na Faculdade de Filosofia, no curso então chamado de História Natural, também fui aluno privilegiado de gente ilustre e brilhante, Lair Remusat Rennó, Djalma Guimarães, Giorgio Schreiber, Braz Pelegrino, Waldemar Versiani dos Anjos, José de Carvalho Lopes, dona Alaíde Lisboa de Oliveira, e outros. Com esses professores, aprendi a ver a vida e a humanidade não em um cenário de alguns séculos ou poucos milênios, mas em uma escala de centenas, milhares de milênios... Minha pobreza material foi muito bem compensada pela riqueza distribuída por esses mestres.
Com diplomas dos cursos de História Natural e de Didática na mão, fui professor de adolescentes durante boa parte de minha vida. Fui um dos fundadores e Diretor do Colégio Ângelo Roncalli, escola que teve um brilho grande e belo, mas curto, assim como a beleza de uma estrela cadente em noite sem luar.
Já casado, perto de completar cinquenta anos, e com a casa cheia de filhos eu, que nunca tinha pensado em escrever nada, rascunhei para eles uma história, com o nome de “Uma Semana no Sítio”, aventuras deles mesmos na fazenda do avô.
No DER, onde entrei quase adolescente e de onde saí aposentado, redigia correspondência oficial, um ou outro relatório, eventualmente até discurso a ser pronunciado por meus superiores. Só.
De repente, sem quê nem pra quê, rabisquei um poeminha, depois outros e disparei a fazer quadrinhas, brincadeiras usando nomes e funções dos colegas, dos subordinados e dos chefes também. Nunca me atrevi a chamar minhas quadrinhas de trovas. Embora os dicionários não façam distinção entre umas e outras, eu faço: para mim quadrinhas são brincadeiras, coisas de repentistas, de amadores; trovas são mais elaboradas, são obras de arte.
Fazer quadrinhas se tornou minha torneirinha de besteiras, como a da Emília no Sítio do Picapau Amarelo, que se abriu de repente e não parou mais de escorrer.
Na época, havia entrado para a Fundação Logosófica, do mestre Raumsol, o argentino Carlos Bernardo Gonzalez Pecotche. Desconfio que o ambiente logosófico tem alguma coisa a ver com essa florada inesperada de quadrinhas, poemas, arremedos de sonetos.
Quando o Papa João Paulo II veio ao Brasil e esteve em Belo Horizonte, usei e abusei do direito de fazer brincadeiras com um colega que integrou a comissão encarregada dos preparativos para receber o ilustríssimo visitante. Comecei inventando que ele foi escolhido para compor a comissão por causa do nome, que era Wálter do Rosário...
A primeira quadrinha foi assim:
O papa já vem aí, \Confirma o noticiário. \Mas sucesso mesmo aqui, \É o Wálter do Rosário.
Outra ficou assim:
No alto da Mangabeira, \Haverá missa campal. \Comenta a cidade inteira: \- Olha o Wálter no jornal.
E foram muitas, muitas mesmo.
De outra feita, fui colega de um coronel do Exército, meu amigo Luís Vaz, um pouco mais novo que eu. Em um aniversário dele, espalhei a notícia mentirosa e brincalhona de que estaria fazendo oitenta anos. E prometi que daria a ele, de presente, oitenta quadrinhas, uma por dia...
Cumpri a promessa e fiz o coronel e muita gente soltar risadas: nas quadrinhas, ele era tão velho que viajou com o Colombo, ajudou o Noé a construir a arca, namorou a Derci Gonçalves, foi segurança de um faraó, foi testemunha, no calvário, da morte de Jesus. O mínimo que fiz foi contar que a patente dele, de coronel, foi assinada pela princesa Isabel...
Uma dessas quadrinhas: \O Vaz esteve também, \Antes de ser coronel, \E ralou como ninguém, \Lá na Torre de Babel.
Outra:
O Vaz é de antigamente. \“Dura lex, sed lex”. \Do bonde cheio de gente, \Do tempo do celotex.
Essas quadrinhas não teriam o condão de me conduzir até aqui. Um dia, vencendo vergonha e timidez, que nunca me abandonaram, mostrei meus primeiros poemas a uma colega no DER, professora no Colégio Municipal de Belo Horizonte, dona Carmem Matilde Dias.
Generosa e pouco exigente, ela elogiou meus versinhos e me estimulou a escrever outros.
Comentei:
- Então, já que a senhora gostou, vou comprar livros para aprender, porque até hoje só sei pedaços de Pássaro Cativo (armas num galho de árvore um alçapão e em breve uma avezinha descuidada, batendo as asas, cai na escravidão); Navio Negreiro (auri-verde pendão de minha terra, que a brisa do Brasil beija e balança, estandarte que a luz do sol encerra e as promessas divinas da esperança); Visita à Casa Paterna, (Como a ave que volta ao ninho antigo, depois de longo e tenebroso inverno); Canção do Exílio (Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá) e só.
E ela:
- Não senhor! Não vai comprar livros não, não vai mais ler poesia de ninguém, seus poemas não podem ser influenciados por nenhum poeta, têm que ser só seus.
Obedeci. Fingia que era poeta, escrevia e só mostrava para dona Carmem e para gente muito amiga e muito próxima. Escrevia e escondia. Guardava em uma pasta em que pus o rótulo de Literatice.
Quando minha mãe se foi, nove anos depois de meu pai, genealogias me chamaram a atenção. Por causa de uma dúvida que tomou conta de mim: meu tio, o Cônego Raimundo Otávio da Trindade, historiador consagrado, primeiro diretor do Museu da Inconfidência em Ouro Preto, genealogista emérito, pesquisou, descobriu e documentou raízes familiares de muita gente mineira e paulista. Deixou livros que hoje são procurados como tesouros: Genealogias da Zona do Carmo, Velhos Troncos Ouropretanos, Velhos Troncos Mineiros e outros. Pois o meu tio não nos deixou um capítulo e um título sobre os Barretos. Logo a família de meu pai, cunhado dele!
Mexeu com meu pai, mexeu comigo...
Para “salvar a honra da família”, dom Quixote de espada em punho, sem conhecer nem saber manejar direito as ferramentas, travesti-me de genealogista e fui atrás do prejuízo, decidido a descobrir as raízes barretianas de minha família.
Vi logo que Barreto é sobrenome espalhado pelo mundo inteiro, e não só nos países lusófonos. Há Barretos inglesados nos Estados Unidos e Barretos afrancesados. Na Espanha, nas Filipinas, em países de língua espanhola, é um sobrenome comum. Sem falar, claro, em Portugal.
Descobri depois: os Barretos do meu coração, os parentes de meu pai, estão sim lá nos livros do Cônego, mas em outros títulos, com outros sobrenomes: é que meu bisavô paterno teve cinco filhas e só um filho, que veio a ser meu avô. As meninas nem sempre recebiam o sobrenome paterno e, se o recebiam, ele era trocado pelo do marido, quando casavam... só meu avô e os descendentes dele recebemos e conservamos o Barreto em nossa documentação civil e religiosa.
Na minha família, os primeiros Barretos que descobri já estavam no Brasil desde 1.500, quase, na capitania hereditária de São Vicente, de Martim Afonso de Sousa.
Não podia entender e contar estas histórias de raízes e famílias, sem conhecer de verdade o vale onde se situam Barra Longa, terra de meu pai, e Rio Doce, terra de minha mãe e minha, onde boa parte delas aconteceu. Com meus pais e irmãos, cheguei a Belo Horizonte com oito anos. Esta linda e muito amada Capital se tornou minha aldeia adotiva há mais de sete décadas e eu a sinto também como minha terra natal. Já quase sexagenário, genealogista amador, ou aprendiz de genealogista, passei a frequentar a região e me apaixonei perdidamente pelas duas cidades e pelos rios Gualacho do Norte, Carmo, Piranga e o Doce.
Desse trabalho, resultou um livrinho a que chamei de “Alguns Barretos de Barra Longa”. Foi o primeiro.
Como efeitos colaterais desse livro, foram surgindo outros que, atrevidamente, acabei por publicar, em tiragens pequenas, mil exemplares no máximo, distribuídos como presentes a amigos e parentes.
Rio Doce tem um lugarejo onde havia, velha de mais de duzentos e cinquenta anos, uma capela dedicada a Santana, a avó de Jesus. O lugar se chama Santana, já foi Santana do Deserto e, mais remotamente, Santana do Rio do Peixe. Em tempos mais antigos, teve dias de esplendor, de que restou uma devoção muito grande à Padroeira. A capela também foi ao chão. No local, construiram outro templo.
No dia 26 de julho, dia da santa, as trilhas e caminhos da região se enchiam – se enchem ainda hoje - de muita gente. Um desses caminhos parte de Barra Longa, onde o rio Gualaxo do Norte joga suas águas no Carmo; segue margeando o histórico ribeirão e, depois do encontro deste com o Piranga, passa por minha terra e, agora margeando o rio Doce, chega a Santana. O Rio Doce é formado pela junção das águas do Carmo com as do Piranga.
A esse trajeto – Barra Longa/Rio Doce/Santana – dei o nome de Caminho de São José.
Por ele, em abril ou maio de 1930, meus pais, com cinco filhos pequenos, minha mãe a cavalo com o caçula no colo, os outros quatro em dois balaios nas laterais de um burrinho, meu pai a pé, outros burrinhos carregando a pobreza das coisinhas deles, minha família deixou Barra Longa em mudança para Rio Doce e em busca de dificuldades menores e possibilidades maiores, que a esperança deles acalentava. Em minha terra, nasceram mais seis filhos. Um deles, uma menininha, morreu criança. Os outros dez chegamos à idade adulta. Hoje, ainda estamos aqui quatro sobreviventes...
Sobre essa viagem de meus pais, escrevi um poeminha a que dei o nome de “Fuga para o Egito”. Assim:

Meu pai passou por aqui./ Já faz muito, muito tempo.
Parecendo São José./ Minha mãe, Nossa Senhora.
Tinham com eles burrinhos/ Carregando a tralha deles.
Uma sagrada família./ Só que com cinco filhinhos.
E um xará, por sinal, do Menino de verdade.

Meu pai passou por aqui./ Se é que olhou para trás,
Antes da curva do morro, /Que escondeu a Volta Grande
Do Rio, raízes dele./ Deve ter até chorado.
E se minha mãe olhou,/ Antes da curva do morro,
Deve ter sentido medo./ Mas não foi da caminhada.

Meu pai passou por aqui./ E talvez descalço até!
Olhava Mamãe, cansada/ E olhava a filharada.
Se Herodes nenhum havia,/ Por que a ida ao Egito?
Meu pai e Mamãe, coitados,/ Meus irmãos pequeninhos
Eram cena de presépio/ Na estrada ensolarada.
A descoberta do ouro no finalzinho do século XVII transformou Ouro Preto (então Vila Rica) e seu entorno em verdadeiras serras-peladas, que atraíram multidões. Entre os milhares de recém chegados, ancestrais meus e seus escravos. Por aqui, vindos de São Paulo, viveram em Mariana, em Santa Rita Durão (que então se chamava Inficionado), no Furquim, nos povoados com o nome de Barreto, um em Barra Longa e outro em Alvinópolis, em Ponte Nova, em Rio Doce, em Dom Silvério, em Visconde do Rio Branco, em Ubá, em Santa Cruz do Escalvado, em Belo Horizonte... e se espalharam pelo mundo.
Passeando por este bairro das Mangabeiras, eu e a menina bonita que anda de mãos dadas comigo há mais de cinquenta anos, mostrei a ela a sede da AMULMIG, que eu sempre chamei de academia do Jésus. Ela perguntou por que eu não era da Academia e ficou sabendo que não me sentia com merecimento para tanto. Não concordando, e estando próximo meu aniversário, ela decidiu tomar a iniciativa de me presentear tentando fazer de mim um membro desta Casa. Conseguiu!

Por falar em menina bonita, escrevi e publiquei mais um livrinho, com o nome de “Ibytira”, anotações sem compromisso sobre a história do lugarejo com esse nome, distrito de Martinho Campos, onde nasceram minha mulher, meus sogros, meus cunhados e ascendentes deles.
Ibytira é um adorável lugarejo, com umas “coisinhas” diferentes dos outros, a começar pelo nome, Ibytira com y depois do b, de etimologia discutida e discutível. Quem folhear o livro, vai ficar sabendo que há lá um OVNI quase permanente, a que dão o nome de Tocha; há índios de que pouca gente ouviu falar, os caxixós, oficialmente reconhecidos, como os xacriabás, os pataxós, os crenaques e os maxacalis, como povos indígenas remanescentes em nosso Estado. Há quem fale ainda nos pankararus; vai saber também porque Ibytira é um vocábulo conhecido por astrônomos do mundo inteiro: no céu do lugar, em 1957, explodiu um meteorito com estrondo que assustou todo mundo. O pedaço maior, entre os que foram recolhidos por especialistas, com pouco de um quilo, foi batizado com o nome de Ibytira.

Sobre um de seus antepassados, o cônego Trindade conta que, nas horas vagas, esse vovô escrevia versos que, infelizmente, se perderam. Resolvi garantir uma sobrevida maior para os meus: escrevi por três anos e meio um diário semisecreto, em que “converso” com um possível neto, a quem confiei a guarda das coisas que escrevo. Guardei para ele o diário e exemplares de meus livros. Se vai funcionar, não sei...
Se der certo, para onde eu for, e se lá memória desta vida se consente, como versejou Camões, eu me sentiria feliz e recompensado.

Juro que nunca pensei em receber o prêmio Nobel de literatura, mesmo sendo admirador há muito tempo de Silvinha, conhecem? a rainha brasileira da Suécia.
Ser aceito como membro desta Academia Municipalista de Letras, pela qual morria de amores meu irmão Jésus, foi prêmio e honraria com que também não contava.
Os livros que escrevi e publiquei tiveram como objetivo contar e preservar histórias familiares. Essas histórias não são muito diferentes das de todas as outras famílias. Se algum valor tiverem, é porque são livros parecidos com velhos cadernos de receitas de bolos, doces e outras delícias das cozinhas de avós e bisavós da gente. Ou do sítio de Dona Benta e Tia Nastácia.

Desculpem, mas não posso terminar este falatório sem contar a bela e singular história que deu origem a Rio Doce, onde nasci e que, envaidecido e muito honrado, passo a representar nesta Casa com autorização e bênção também de seu prefeito, Silvério da Luz, que sacramenta e valoriza com sua presença esta cerimônia. Uma adorável cidadezinha que recentemente foi classificada em trigésimo sexto lugar, entre todas as de seu nível e tamanho em nosso imenso Brasil, como uma das melhores para a gente, com saúde e segurança, viver em paz e feliz.
Aprendi faz tempo que, se quisermos falar ao mundo, devemos falar de nossa aldeia. Quem sabe estou falando ao mundo, tanto tenho escrito sobre Rio Doce?
Aprendi ainda, com alguém que sabe das coisas, que um quintal aquecido por uma fogueira, com um avô e netos atentos e curiosos, é a melhor sala de aula que pode existir.
Então, tenham paciência. Imaginem uma fogueira acesa, me aceitem como avô e escutem a história de minha terra natal.

Era uma vez um menino nascido no interior do Maranhão, no vale de um rio chamado Mearim. Recebeu o nome de Antônio, Antônio da Conceição Saraiva. Era o ano de 1817.
Nós, os humanos, somos muito mais misteriosos, desconhecidos, poderosos e maravilhosos do que sequer imaginamos! Se cada ser humano tivesse conhecimento e arte para um dia escrever sua história pessoal, teríamos milhões de belos romances!
Esse menino que tomava banho no rio Mearim, criança ainda, sonhava viver no Rio de Janeiro, onde já moravam parentes dele.
Os adultos da família, claro, sempre foram contra a ideia, mas um irmão mais velho, tanto o Antônio falava em ir para o Rio, comprou umas roupas para o rapaz, então com vinte anos, arrumou-lhe uma mala e o embarcou em um navio que, vindo da Europa e atracado em São Luís, continuaria viagem até à então capital do Império.
No navio, havia um grupo de artistas de circo suíços, de fala francesa, cujo destino era São Paulo. Entre eles, um casal, o senhor Achiles Barnabeau e sua mulher, Anne Marie Schmidt.
A madame Schmidt estava grávida de mais de oito meses.
Alguma coisa ligou o casal ao rapaz. Que seria? Ninguém me contou, mas talvez um motivo fosse o desejo deles de melhorar o português que precisariam usar em contacto com suas plateias. Talvez tenham sentido pena da solidão do Antônio naquela viagem de quase um mês. Talvez algum desses mistérios que se costuma atribuir ao destino. Ou à fatalidade. Não sei. O certo é que se tornaram amigos, trocaram endereços quando chegaram ao Rio. O Antônio foi para a casa dos parentes, quase esqueceu os suíços. Já a madame Anne Marie, mal deixou o navio, deu ao mundo uma filha, batizada Virginie, uma autêntica carioca/suíça. E terminou sua viagem com o marido, a filha e os companheiros do circo para o interior de São Paulo.
Dez anos se passaram. O Antônio trabalhava com os parentes, comprava e vendia mercadorias, comerciava. Um dia, recebeu com surpresa uma visita do casal estrangeiro do navio e sua filha, a Virginie, que só então ele ficou conhecendo.
Antônio, trinta anos. Virginie dez.
Mais visitas, mais troca de gentilezas e endereços e o casal voltou com a filha para São Paulo. Mais doze anos e os suíços surgiram de novo na casa e na vida do Antônio. O Achiles estava doente. Ele e a mulher tinham sido contratados por uma empreiteira que estava construindo uma estrada de ferro que, partindo do Rio de Janeiro, deveria chegar aos cafundós da mata mineira. Pediram ajuda ao Antônio, que os levou ao canteiro de obras, pensando voltar logo para casa e para o serviço, mas...
As coisas se precipitaram: o Achiles Barnabeau morreu e sua mulher, inconformada e desesperada, também partiu para o mundo do grande silêncio menos de um mês depois do marido.
Olhem o palco: Virginie, carioca/suíça, estrangeira em sua terra natal, 20/21 anos, sem pai, sem mãe, sem parentes, sozinha no Brasil, sozinha no mundo! Novela da Globo! Mas real...
Aconselhado por um padre, Antônio aceitou a sugestão que lhe deram: “Case-se com ela!” Na verdade, parece que teve de aceitar: o único amigo brasileiro da Virginie e de seus pais era o maranhense.
Casaram-se! Antônio, quarenta e dois anos. Virginie, vinte e dois.
Ao novo casal, foram oferecidos os empregos que eram do Achiles Barnabeau e da Anne Marie. Receberam ordem de ir, com dois acompanhantes, para um local próximo de onde as águas dos Rios Piranga e do Carmo se encontram, início do então caudaloso Rio Doce, hoje ferido quase de morte: deveriam ir de trem até onde os trilhos já haviam chegado, depois a cavalo, de carro de boi, a pé... Junto à ponte chamada do Soberbo, nome de um lugarejo, São Sebastião do Soberbo, deveriam esperar os engenheiros e aguardarem novas ordens. Imaginem as dificuldades da longa viagem do casal. O ano era 1.857, iriam para uma terra de febres e doenças, de aventureiros atraídos pelo ouro, de índios, muitos ainda indomados, de cobras, de onças, de mil perigos, que o medo do desconhecido aumentava. Virginie, de luto e chorando muito, aceitou o casamento - não tinha outra saída, tadinha! - mas impôs uma condição: “aquelas coisas” de marido e mulher, “les caresses d`amour”, só quando chegassem ao encontro dos dois rios, só quando ela estivesse devidamente instalada e acomodada em sua casa. A viagem terminou 10 meses depois! Estabeleceram-se junto à tal ponte. O povoado Soberbo, São Sebastião do Soberbo, afogado pelas águas represadas do rio, foi reconstruído em outro local, é como se fosse uma Brasiliazinha em miniatura. É quase um bairro riodocense, mas não pertence, nunca pertenceu à minha terra, porque fica na outra margem do Rio Doce, a direita, que faz a divisa com Barra Longa, Ponte Nova e Santa Cruz do Escalvado.
O lugar ocupado por Saraiva e Virgínie ficou conhecido como Fazendinha Santo Antônio.
Os engenheiros não vieram logo, mas os filhos do casal sim: Adélia (homenagem à mãe do Antônio), Ambrosina, Benevenuto, Eulália, Antônio, Achiles (homenagem ao pai da Virginie), Arminda Rosa, Maria da Glória e Armando. Nove filhos!
Em pouco tempo, o Antônio da Conceição Saraiva se tornou para filhos e netos o pai Saraiva, simplificado por todos como Paiava; a Virginie marcou época, como Mãe da Ponte. Assim a chamavam filhos, netos e conhecidos.
Paiava e Mãe da Ponte: os fundadores de minha terra natal, gente que veio de muito longe, ele do Maranhão, ela da Suíça! E minha terra, esse tempo todo, era quase como um quintal grandão da casa deles!
Vinte anos depois da chegada, ainda esperando os engenheiros, no Natal de 1.876, as duas filhas mais velhas, Adélia e Ambrosina, estavam de casamento marcado. Os noivos eram dois irmãos – da família Pinheiro e de ancestrais portugueses . (Na verdade, seis dos nove filhos do Paiava se casaram com pessoas da família Pinheiro). Os noivos moravam em Dom Silvério. Com os sobrenomes Pinheiro e Saraiva, mas não Barnabeau nem Schmidt, os descendentes do Paiava e da Mãe da Ponte enriquecem Minas Gerais e o Brasil. Alguns deles são meus parentes, outros são muito amigos. Todos são motivos de orgulho para os riodocenses.
Antônio e Virginie, perto de sua Fazendinha, tinham erguido, em um morro, um cruzeiro e depois uma capela, dedicada a Santo Antônio de Pádua, que na verdade não é italiano nem de Pádua, mas português de Lisboa.
Os engenheiros finalmente chegaram. Vinte anos depois! deve ter sido uma festa.
Com suas pranchetas, teodolitos e outros instrumentos e ferramentas, marcaram o local onde seria construída a estação; fizeram o traçado do caminho onde seriam implantados os trilhos e construído um viaduto; demarcaram o adro, terreno reservado à igreja, onde já havia a capela construída pelo casal; perto da capela, algumas casas havia; marcaram, para resguardá-la, a chamada “faixa da Marinha” do Rio Doce, em sua margem esquerda. Essa faixa, através de uma linha reta traçada pelos engenheiros, saltava, quer dizer, liberava, excluindo-as, as terras do córrego chamado dos Borges (ou das Lajes) perto da fazendinha. O resto do local – que até então era uma espécie de quintal da Fazendinha – foi dividido em nove lotes mais ou menos do mesmo tamanho, posterior e sucessivamente ocupados pelas casas dos filhos do Paiava.
Perceberam? muito antes de Belo Horizonte, Goiânia, Brasília, Palmas e outras aldeias mais conhecidas, minha terra, que recebeu o nome de Rio Doce por motivos óbvios, foi planejada e desenhada na prancheta por engenheiros, já viram coisa mais chique que esta? A planta da futura vila estava pronta em 1882.
A inauguração da estação, em 21 de dezembro de 1885, além de funcionários da ferrovia, atraiu gente de tudo quanto é banda, como se dizia por lá. Meus avós maternos chegaram entre os primeiros. Famílias brasileiras e estrangeiras também, principalmente de italianos, de espanhóis, de portugueses e de árabes, chamados genericamente de “turcos”, marcaram um início cosmopolita para a nova cidade.
Os estudiosos anotaram para nós uma série de atos governamentais sobre minha terra, o primeiro, um decreto de 1890, que criou o Distrito, outros, que ora punham Rio Doce como distrito de Mariana, ora de Dom Silvério, ora de Ponte Nova, até um, de 30 de dezembro de 1962, que elevou Rio Doce à categoria de município.

No território hoje do município de Rio Doce, antigamente pertencente a Mariana, depois a Barra Longa, viveu gente poderosa no tempo do império. Em uma fazenda chamada Jaracatiá, de sede portentosa e imponente, que não resistiu à passagem do tempo e dos donos, nasceu e viveu José Joaquim Fernandes Torres, que foi deputado, senador, Ministro duas vezes e Presidente da então província de São Paulo.
Outro, que ilustra a história riodocense, genro do Senador Fernandes Torres, chamado Francisco de Paula Silveira Lobo, também foi senador por Minas Gerais e Presidente do nosso Estado e de Pernambuco. Viveu em outra fazenda, chamada do Marimbondo, cuja sede, também imponente e importante historicamente, foi há poucos anos demolida para a construção da hidroelétrica do Candonga, onde o rio xará da cidade formou um belo lago, atualmente emporcalhados e quase destruídos, o lago e a hidrelétrica, pelo acidente na agora famosa represa do Fundão, em Mariana, cujo rompimento destruiu o povoado de Bento Rodrigues e feriu profundamente o município e a cidade de Barra Longa. A sede do município de Rio Doce, afastada e em plano um pouco superior ao do curso do rio, não foi felizmente atingida.
A luta pela salvação e recuperação de todo o vale do Gualaxo do Norte, do Carmo a partir de Barra Longa, e do Doce, não é só dos responsáveis pela tragédia e dos governos, é tarefa de todos nós, deve ser preocupação de todo ser humano, pois o desastre é uma amostra do que pode provocar, em nível planetário, a visão pequena, gananciosa e nem sempre responsável dos donos do dinheiro.
A saga dos senadores/ministros/governadores que viveram em território hoje riodocense, cujo prestígio, dizem, levou o imperador Dom Pedro II a visitar o encontro das águas do Carmo com as do Piranga, e, acho eu, a levar até suas fazendas os trilhos da Estrada de Ferro Leopoldina, ou Leopoldina Railway, para ficar com o nome oficial, é assunto precioso para os que estudam e gostam de nossa História. Mas isso e a quase destruição do Rio Doce, ferido de morte mas em lento processo de recuperação, são assuntos para historiadores e especialistas, não para palpiteiros como eu.

Entre muitas personagens riodocenses, escolhi como meu patrono nesta Academia uma figura meio incomum que merece um dedicado pesquisador para recuperar sua história. Meu tio, mais um dos padres nascidos em minha terra, meu patrono, se chamou Geraldo Trindade, o padre Trindade, como era conhecido. Um sobrinho dele, Flávio Trindade, também riodocense, também padre católico, fez um belo resumo da vida sacerdotal do meu patrono, cheia de atividades como professor, como artista, como músico, como maestro, como criador de corais por onde passava, como estudioso do budismo e outras religiões orientais, apaixonado, entre outras, pelas idéias e ensinamentos de Téillard de Chardin e de outros sábios. Da Congregação das Missões, padre lazarista, da ordem criada por São Vicente de Paula, pregou e exerceu seu trabalho missionário por centenas de cidades mineiras. Recolheu-se depois a uma pequena aldeia, com o nome de Guinda, vizinha da cidade dos diamantes. Ali, viveu sozinho o resto de sua longa vida, como estudioso, como compositor, como músico, como poeta, como eremita, quase como um candidato à santidade. Além de “musiquinhas e versinhos” muito simples para seus fiéis, crianças, sobrinhos e parentes, compôs, durante trinta anos de estudos e vigílias, um alentado poema, à moda de Camões, com dez cantos, além do Prólogo e do Epílogo. Deu ao poema o nome de “A Mulher do Apocalipse” e o assinou com o pseudônimo de Walterius, apelido que tomou emprestado a Guálter Pereira Guimarães, português ancestral dos Trindades de Barra Longa, onde chegou com menos de quinze anos de idade. O poema foi posteriormente publicado com o verdadeiro nome do autor, por iniciativa de outro sobrinho, Hélcio Pinheiro Moura. O sobrinho padre escreveu que o grandioso poema, fruto de muitos anos de meditação, estudo, oração e amor à Igreja Católica, é para ser lido no silêncio de uma capela, no aconchego de uma poltrona ou à sombra de uma árvore.
Sozinho no Guinda, que adotou como sua aldeia, viveu quase escondido, numa humildade comovente. Recebeu vários convites para ser vigário em diferentes paróquias, onde poderia afastar de si a pobreza muito grande. Recusou todos. Certa vez, visitado sem aviso prévio por alguns parentes que chegaram a sua casa na hora do almoço, foi surpreendido servindo-se sozinho. O cardápio era angu e feijão... um santo?
Dom Belchior Neto, que foi colega por muitos anos do padre Geraldo Trindade, na apresentação que fez de “A Mulher do Apocalipse”, escreveu sobre meu patrono:
“... ele vivia intensa e ardorosamente o seu sacerdócio e, debruçado sobre os santos evangelhos, sobre a vida da igreja, apaixonado pelos Santos Padres, ledor constante de antigos e modernos, como Agostinho e Rahner, Ratzinger e Bultman, Nogar e Teillard de Chardin...”
“...assim, numa quase alucinação divina, num êxtase de viagem até o Céu, com aqueles olhos verdes cintilantes, como a estourar num semblante afogueado, estuante de vida, padre Trindade descrevia-me a bela figura da Mulher do Apocalipse. Ele não dizia que era a igreja de Cristo, mas num relato candente, ora em prosa, ora em decassílabos heroicos em oitava rima, espécie de Camões do século XX...”
“... ele descrevia a Criação, o Pecado, o Inferno, a epopeia bíblica, a beleza virgem de Maria, Jesus Cristo e a efusão do Espírito Santo sobre os apóstolos. Aí, então, a gente sentia o faiscar de seus olhos muito verdes, em chispas queimantes, expondo o caminhar da divina esposa do Senhor através dos homens e através dos séculos...”
Padre Geraldo Trindade, meu patrono nesta Academia, meu tio, meu conterrâneo, missionário lazarista, como são chamados os pertencentes à Congregação da Missão ou padres de São Vicente de Paulo.
***
Um empresário amigo, sabendo de minha aceitação nesta Casa, mandou fazer outra edição de um livrinho meu, “Minicontos”, para ofertar aos presentes a esta solenidade, como brinde e como pedido de desculpas por estar falando tanto. Também como pedido para que, como se diz hoje, viralizem por todos os cantos a idéia do Caminho de São José, nestes tempos de turismo místico, nem um pouquinho menos importante que outros que por aí existem, inclusive o badalado Caminho de Santiago. A Arquidiocese de Belo Horizonte acaba de oficializar mais um, entre a nossa Serra da Piedade e o Santuário de Aparecida.
Autoridades municipais de Barra Longa e Rio Doce, para alegria minha, incluíram e transformaram este meu sonho em objetivo também de suas administrações. As consequências do impressionante desastre ecológico de que foi vítima a região, se tornaram um atrativo para estudiosos, curiosos e desejosos de ver e testemunhar a capacidade destruidora que é característica também dos humanos. Mais um motivo para conhecerem o Caminho de São José.
Nestes tempos de tecnologias avançadas, de terrorismos e terroristas com armas químicas e atômicas, com poder econômico e politico concentrados em cada vez menos mãos; mãos que parecem cada vez mais agressivas e inescrupulosas; quando a humanidade parece caminhando para tornar o planeta inviável como “habitat” para nós mesmos, o poder da fé e da oração parece cada vez menor, mas essa diminuição é aparente e circunstancial, pois buscaremos cada vez mais os planos superiores em que acreditamos ou queremos acreditar, porque nossos medos, nossas incertezas, nossas lágrimas e nossos sonhos e esperanças são os mesmos de todos os tempos e gerações, desde nossos antepassados mais distantes, quando alguns parecem ter vivido em cavernas nos tempos da pedra lascada.
Me perdoem ter falado tanto.
Muito obrigado.

 

 

 

 

 

 


Currículo:
1. José Alberto Barreto, nascido aos 10/abril/1935,em Rio Doce.
2. Filho de Antônio Júlio Barreto e Cecília Trindade Barreto.
3. Curso primário: o primeiro ano no Grupo Escolar Silviano Brandão e os outros três no Grupo Escolar Lúcio dos Santos.
4. Curso ginasial: no Colégio Anchieta (primeira e segunda séries) e no Colégio Municipal de Belo Horizonte (as duas últimas).
5. Curso colegial (antigo científico): no Colégio Municipal de Belo Horizonte.
6. Curso de História Natural, na Faculdade de Filosofia da UFMG.
7. Curso de Didática, na mesma Faculdade.
8. Curso de Francês, na “Alliance Française”.
9. Curso de Inglês no Instituto Cultural Brasil Estados Unidos.
10. Professor na “Escola do Garoto, de 1955 a 1959.
11. Professor de Biologia no Colégio Anchieta;
12. Professor de Ciências e Biologia no Colégio Ângelo Roncalli, de que foi fundador e um dos Diretores, de 1.964 a 1.975.
13. Professor de Ciências no Colégio Logosófico, durante o ano de 1.984;
14. Fundador e Professor de uma Escola no Grupo de Empresas liderado pela Viação Santa Inês, para instrução dos funcionários;
15. Funcionário do atual DETRAN/MG. De 1952 até 1955.
16. Funcionário do DER/MG, de 1955 até à aposentadoria em 1.986.
17. Casado com Míriam Lobato Barreto, pai de cinco filhos e seis netos.

Livros publicados:
01. Alguns Barretos de Barra Longa
02. O Caminho de São José
03. Que que tem Mané das Almas com os bois do Sacramento?
04. Gincana
05. ABC de BH
06. 35 Minicontos
07. 77 Poemas, com licença dos poetas de verdade
08. Ibytira
09. Acalantos e Genealogias
10. Minicontos
11. Tem alguém aí?
(autor, inda, de poemas, histórias, contos e crônicas, não publicados).

Belo Horizonte, maio de 2.017.