Rio Doce Terra
                                                 
Atualizado em: 11/08/2017 às 15:42 horas                              

# Promessa

 

Uma certa vez, fui a uma igreja em Viçosa cumprir uma promessa que fizeram para mim: levar uma foto e colocar nos pés de Santa Rita. E conheci, quando menina, em Santa Cruz do Escalvado, um rapaz que só vestia camisa roxa durante toda a quaresma, cumprindo promessa da mãe. Muitos outros casos eu conheço, e você também, de cumprimento de promessas esquisitas e diversas. Mas no início do ano elas vêm com novos ânimos e com uma certeza do promitente de que começar o ano cumprindo uma promessa é uma boa forma de não abandonar o projeto, pelo menos enquanto o ano durar.
A gente sempre promete demais, promete que vai visitar um amigo, “vou hoje, depois do serviço, vou lá tomar uma cerveja com você”,e o amigo confirma, “ vai mesmo? Vou preparar uma carninha pra queimar”, e a gente não vai. Ou vai e o amigo, acostumado com este jeito brasileiro de prometer deslavadamente o que sabe que não vai cumprir, não tinha carvão, nem carne, nem cerveja, e, de pijama, nem estava disposto a receber visita naquele dia.
Mas prometer-se algo é sempre uma forma de se obrigar a não sair do ritmo e cumprir o proposto, principalmente quando envolve santos. Conheço histórias de gente que fez uma promessa, alcançou a graça, não cumpriu o prometido, caiu em desgraça. É assim com uma música sertaneja de raiz, O milagre de Tambaú, de Palmeira e Biá, que narrava uma história assim: Uma velha milionária/ao receber a benção/ jogou a muleta fora/no meio da multidão/ Tirou seu colar de ouro, e chorando de emoção/Quis entregar para o Padre, pra mostrar sua gratidão./O Padre então lhe falou, eu não posso aceitar/ Que os milagres que Deus faz,/ só o bem pode pagar/Mais se esse o seu desejo,/ pegue então o seu colar/ Dê a primeira pessoa,/ que no caminho encontrar./A primeira criatura, que na estrada apareceu/A velha lembrou do Padre,/ do seu carro ela desceu/ Foi pra dar o seu colar,/ na ora se arrependeu/ Por ser uma pobre preta, cinco mil reis ela deu./ Mais adiante a velha rica,/ viu suas pernas enfraquecidas/ Voltando de novo ao Padre,/ por ele foi reemprendida/ Teus cinco mil reis tá qui,/ guarde pro resto da vida / Que a pretinha que você viu,/ era a Senhora Aparecida.
Tenho medo de prometer o que não dou conta de cumprir, aliás, tenho medo de prometer qualquer coisa que seja. Mas eu prometo a vocês que, este ano de 2016, esta coluna terá de primeira mão, uma versão online de meu primeiro livro de poesia “O Sol brilha por si”. Tomei coragem. Outros virão, queira Deus, que vida me dê.
Aquele abraço.