Rio Doce Terra
                                                 
Atualizado em: 16/10/2017 às 15:42 horas                              

# O êxodo rural

Juninho Lobo

Com o início da revolução industrial na Inglaterra no século XVIII, o mundo começou a implementar suas linhas de produção, utilizando as máquinas e equipamentos que gradualmente iam surgindo. Que beleza, isso indiscutivelmente representou o avanço do humanidade, facilitando a vida de todos, gerando comodidade, conforto e evolução para o mundo moderno.  Passado  centenas de anos após este período, o planeta se transformou, tornando-se muito diferente do que era em tempos remotos. Inventos e descobertas maravilhosas foram disponibilizadas à sociedade: luz elétrica, carros, aviões, medicamentos, eletrodomésticos, vieram facilitar a vida de todos, mas junto com essas evoluções, vieram as degradações e  catástrofes ambientais como tufões , terremotos , maremotos , aquecimento global e muitos outros problemas fruto do comportamento do homem para com o planeta, mas isto não vem nos interessar pelo menos neste momento,  apesar de que, temos a consciência que são problemas gravíssimos que a humanidade tem de dar um tratamento urgente , pois , o meio ambiente é indiscutivelmente  o freio da humanidade.

     Com o passar dos anos, vamos dizer, nas últimas cinco décadas, o Brasil se tornou um país muito mais urbano que rural em virtude das atratividades das cidades e da vida dura e difícil que o homem do campo sempre levou em nosso meio rural. Hoje vejo que a situação do êxodo rural é irreversível, talvez em virtude da  carência de uma política pública séria, voltada para o homem do campo, dando oportunidade a ele de viver com o mesma dignidade e bem estar do homem urbano. Infelizmente esse  retrato rural de falta de mão-de-obra geradora de renda e produção em nossa região e podemos dizer em todo o país, proporcionou a expansão das favelas , o aumento da marginalidade e uma série de fatores negativos para a sociedade urbana e também para a sociedade rural “residente nas cidades”.


     Em nossa zona rural de Rio Doce por exemplo, mão-de-obra com menos de 30 anos de idade é raridade, praticamente inexistente . Hoje na realidade local rural, temos 3 categorias de pessoas : crianças que estudam na cidade, com acesso à aulas de  informática  ,esporte , música e inglês  . Tudo isso é formidável e muito bom, mas estes jovens não voltam mais para o campo... Eles procurarão naturalmente uma condição de emprego mais remunerada e uma situação de trabalho melhor do que um “cabo-de-enxada”, inclusive por se capacitarem mais que seus pais e avós .
Será que eles estão errados?
O que o estado tem ou deve oferecer para o jovem ficar lá no campo com seus país e dar continuidade ao trabalho realizado pela família a séculos ?
Além dessas crianças (1) que estão no campo e já com 4 ou 5 anos de idade estudam na cidade transportado por confortáveis ônibus , temos também “avós  aposentados” (2), que muitas vezes são a base financeira da família , pois seus  “filhos”(3)  recebem  um benefício aqui e outro acolá do estado e da União “as famosas bolsas”, as quais são  suficientes para que eles não precisem trabalhar “como muitos deles dizem” , pois , na geração mais velha, já está todo mundo aposentado e com renda garantida.
“É preciso estimular e criar novas formas e projetos localizados para que esta  categoria possa produzir muito mais do que produzem”. É preciso querer mais...

       A coisa está feia e assim caminha a humanidade como já dizia um velho filósofo: As gerações jovens vão para os grandes centros, seus pais representam pouquíssima mão-de-obra  e seus avós que é a geração que tem um vínculo maior com a terra, já são aposentados e não tem mais força de trabalho . As lavouras de feijão, cana , milho ,arroz e café praticamente acabaram  . Na foto abaixo conseguimos uma lavoura para dizer que elas não se extinguiram totalmente. É uma lavoura de milho na comunidade da fazendinha produzida pelo Sr.Juraci de Souza Campos , também conhecido como Cici da fazendinha.
Ah , a idade dele ? 83 anos.
Hoje ,ele conta a ajuda da prefeitura que doou semente de milho híbrido de excelente qualidade e trator para preparo do solo gratuitamente. Conta com assistência técnica da Emater-MG que é pelo 3º ano  eleita a melhor empresa do pais no setor , conta também com sémem bovino gratuíto do programa de pecuária municipal e mais 2 veterinários e um zootecnista para atende-lo gratuitamente quando precisar . Uai , uma ajudinha até boa né !
Mais onde está a mão-de-obra para alavancar nossa produção agropecuária municipal, regional e do Brasil como um todo?
Fácil  resposta, estão nas cidades...Uai ,será então que a roça acabou ?