Rio Doce Terra
                                                 
Atualizado em: 20/11/2017 às 16:11 horas                              

# Se eu tivesse escrito alguma coisa

 

Durante a missa de sétimo dia por intenção de Maria Madalena Trindade Barreto Corrêa,  sabendo que não conseguiria fazê-lo, o locutor e jornalista Acir Antão, a pedido da família, leu o seguinte texto por mim escrito:

 

Madazinha,

Nunca chamei você assim, com esse diminutivo de que você gostava. Pirracento, só lhe chamava de Madalena.
Mas, agora, este seu irmãozinho vai se lembrar de você assim, a Madazinha, do maridinho, dos filhinhos, do Marcinho, do Manuelzinho, do Marquinho...
Não tou nem aí para seus feitos admiráveis, de professora em tempo integral, de diretora em tempo integral, de mãe em tempo integral e, para mim, irmã e colega em tempo integral, sempre disposta a ir comigo a Mariana, a Barra Longa, a Rio Doce, sempre achando importante e valorizando minha mania talvez abobalhada de buscar os nomes pelo menos de nossos antepassados em pesquisas intermináveis, em visitas intermináveis. Só nós dois - depois que o Jésus nos deixou - conversávamos com naturalidade e, mais importante, com prazer e alegria,sobre os irmãos e as irmãs de nossos avós, os tios de nosso pai e os de nossa mãe, buscando as pistas talvez deixadas por algum rapazinho português, corajoso e aventureiro, que abandonou seus pais e sua pátria e se tornou patriarca de todos nós. Só nós dois (e o Jésus) com paciência para intermináveis leituras e revisões de nossos textos quequase ninguém lia e valorizava com o mesmo entusiasmo nosso.
Diplomas, medalhas, honrarias, homenagens,tudo isto a vida deu a você, merecidamente. Ficou faltando a cidadania honorária de Rio Doce!
Não tenho mais nada a lhe oferecer, a não ser dizer-lhe que aceitei sua partida, mas fiquei com uma raiva danada, com um sentimento de saudade doída,com um vazio, com uma lembrança, que ainda vai me fazer chorar por muito tempo, de nossas muitas, muitíssimas idas e vindas, levando na cabeça e no coração a ideia do Caminho de São José, produto não apenas de imaginação e sonho bobos, mas de histórias e crenças, herança valiosíssima, que foram carinhosamente plantadas em nossos corações e incutidas em nossas mentespor nossos pais e mestres, avôs e avós, tios e tias, professores e professoras, padres e freiras.


E chega, que esta conversa tá ficando muito comprida. Onde você estiver,nesse mundo do silêncio para nós que ficamos, se isso for permitido, continue perto de nós, participe de nossos encontros familiares – vou continuar convidando parentes e amigos para um cafezinho com pão de queijo no dia de seu aniversário! - espere por nós que, assim como você, sem nenhuma pressa mas aproveitando e alongando ao máximo nossa estada por aqui, esperamos o dia de nossa partida e de estarmos novamente reunidos.
É preciso, é muito importante para mim, acreditar nisto!
Que São José de botas de Barra Longa, Santo Antônio de Lisboa, de Pádua e do Rio Doce, e a menina Maria, com sua mãe Santana e seu pai Joaquim, continuema seu lado e respondam “para sempre seja louvado” toda vez que você lhes disser:
- Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!