Rio Doce Terra
                                                 
Atualizado em: 11/08/2017 às 15:42 horas                              

# 13 de junho de 2013


Pensei que fosse Confins,
A vila do Mário Palmério,
O lugar com que sonhei.
Mas era uma outra vila
Envolvida, oh! Santo Antônio,
Que os sonhos são só mistério,
Num novelo de fumaça.
Fumaça doce, cheirosa,
Que não ardia nos olhos,
Neblina que não molhava,
Que parecia carícia...
Morava ali uma Mestra
De saia preta, comprida,
Quase arrastando no chão.
E um padre negro, Macário,
Ela e ele guardiões
Da igreja e do sacrário.
“E se mentiste, menino,
Confesse com o padre Mendes”.
E os três de roupas negras,
Quase arrastando no chão,
Nem fantasmas, nem duendes,
Gente amiga, vigilante,       
Riam vendo as brincadeiras:
Um Judas plantado num largo,
Cercado por bananeiras.
O trem apitou de longe
E, de repente, passou.
O novelo ficou maior
E seu perfume também,
Cobrindo o chão e o céu,
O sonho, a igreja, o amém.
Um homem com um chicote,
No novelo de fumaça,
Parecia abrir caminho
Para o trem à Estação.
Não era mesmo  dos Confins
A vila com que sonhei:
Na parede, Rio Doce.
Do trem/fumaça, desciam
Personagens conhecidos,
Todos sorrindo ternura.
Quando estalou seu chicote,
Eu vi: Emílio Martins.
O trem saiu de mansinho.
Manteiga não dava não,
Apenas café com pão...
Bem antes do fim da curva,
Fumaça e sonho também,
Santo Antônio e o Menino,
Me ensinavam sorridentes:
“Como o rio e sua terra,
Para sempre, seja doce..."
Acordei dizendo amém.

 

 



José Alberto Barreto
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