Rio Doce Terra
                                                 
Atualizado em: 07/06/2017 às 11:07 horas                              

# Nascimentos

Quando minha família se mudou para Rio Doce, eu ainda não havia nascido. Meu pai disse a meus irmãos Francisca (Chiquitinha), João Bosco (Sinhozinho), Jésus, Madalena e Wilson (Vivi):
- Vocês podem brincar com os filhos do Luís José, porque são nossos parentes.
Conta Madalena, minha irmã, que Hilda Nascimento, então criancinha também, não gostou:
- Não somos parentes coisa nenhuma, você não é Nascimento, eu não sou Barreto...
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           Conversamos e rimos, algumas vezes, Hilda e eu, sobre esta história. Muitos anos depois, fantasiado de genealogista, posso provar que ela é Barreto sim senhora e, mais, que eu sou Nascimento...
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           Francisco Barreto Falcão, português, e Ana Maria de Jesus tiveram alguns filhos e filhas, um deles batizado com o mesmo nome do pai.
                     O segundo Francisco Barreto Falcão tinha, entre outros, uma filha, por nome Francisca Miquelina (Barreto) e um filho, Antônio Roque Barreto; ela uma filha, Antônia Augusta do Nascimento. Antônio Roque, um filho, chamado Joaquim Bento; este e Antônia Augusta, portanto, são primos em primeiro grau.
         O filho do Antônio Roque Barreto, Joaquim Bento Barreto (meu avô), tomou-se de amores pela filha da Antônia Augusta do Nascimento,  Francisca Augusta do Nascimento (minha avó), sua prima em segundo grau. Ele se tornou genro da prima Antônia Augusta...
                    Chegar ao casamento foi difícil para meus avós: o vigário de Barra Longa se esforçou para evitá-lo, por causa do parentesco próximo.  O tal vigário (padre Martinho Horta Buselin) explicou aos noivos e ao pai do noivo que um casamento assim não era “pecado”, mas que a igreja o desaconselhava. Os noivos acabaram obtendo a licença para o casório, mas tiveram de “pagar uma pena”: rezar três rosários ou nove terços para Nossa Senhora.
Se pagaram a pena e rezaram o que lhes foi ordenado,   isto eu não consegui descobrir.
 O casamento foi em Barra Longa, no dia 13 de maio de 1890.
Meu avô Joaquim Bento, portanto, se tornou genro de sua prima-irmã, Antônia Augusta do Nascimento, bisavó de Hilda, e marido de sua prima em segundo grau, Francisca Augusta do Nascimento (irmã do avô de Hilda).
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Francisca Augusta (Barreto) do Nascimento (minha avó paterna) teve um irmão, José Antônio (Barreto) do Nascimento, que se casou com Maria Mathilde e foi pai de Luís José (Barreto) do Nascimento; este se casou com Maria Paula do Nascimento: são os pais de Hilda, cujo nome, portanto, poderia ter sido Hilda (Paula Barreto) do Nascimento,
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                      Desenrolando o “novelo”:
1. Hilda e seus irmãos são meus “primos”, porque o avô deles (José Antônio do Nascimento) é irmão de minha avó (Francisca Augusta do Nascimento), mãe de meu pai;
2. O avô de Hilda, portanto, é tio de meu pai e sobrinho de minha avó;
3. O pai de Hilda (Luís José) é sobrinho de minha avó, que era irmã do pai dele; meu pai era sobrinho do avô dela, logo, nossos pais (Antônio Júlio e Luís José) eram primos em primeiro grau;
3. A bisavó paterna de Hilda (Antônia Augusta do Nascimento) é minha bisavó paterna também e é Barreto porque filha de Francisca Miquelina (Barreto);
4. Essa Francisca Miquelina, trisavô de Hilda, por sua vez, é irmã de Antônio Roque Barreto, meu bisavô;
5. O Antônio Roque e a Francisca Miquelina são filhos de Francisco Barreto Falcão e de Maria Philisberta, que são nossos trisavôs, meus e de Hilda. (Ressalva: a Maria Philisberta é a segunda esposa do Francisco: a Francisca Miquelina e o Antônio Roque podem ter sido irmãos apenas por parte do pai, ainda não sei);
6. O Francisco Barreto Falcão é filho e homônimo de seu pai e de Ana Maria de Jesus, nossos tetravôs (meus e de Hilda). Essa Ana Maria de Jesus é Barreto também (e não só porque casou com o Francisco Barreto Falcão: já nasceu “barreta”, teve um irmão chamado Francisco Barreto Bicudo, cuja fazenda (no século XVIII) deu origem a um povoado até hoje chamado Barreto, em Barra Longa.
Como é difícil e exige paciência desenrolar novelos, posso ter errado aqui ou ali nesta transcrição. Se errei, peço desculpas e esclareço que tenho  tudo anotado e documentado  direitinho para quem quiser conferir.
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Algum Nascimento/Barreto quer mais? Consegui chegar até 1.500, por aí, quando nossos ascendentes, os primeiros no Brasil, conviveram, na capitania hereditária de São Vicente, com o donatário Martim Afonso de Sousa (lembram-se das aulas de História?) e tiveram medo, com certeza, dos índios tupinambás, aqueles que prenderam e quase mataram o Hans Staden para fazer um churrasquinho.
 Portanto, quem não sabia, fique sabendo: eu sou o José Alberto (Trindade do NASCIMENTO) Barreto e ela, minha prima, a Hilda (Paula BARRETO) do Nascimento.
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Fiquei honrado e feliz com o resultado de minhas pesquisas, comprovando o parentesco e confirmando a afirmação de meu pai.
O Nascimento, que não gostar da idéia de ser meu parente, reclame dos ancestrais; o que gostar, está convidado a tomar um cafezinho em minha humilde mansão...

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