Rio Doce Terra
                                                 
Atualizado em: 07/06/2017 às 11:07 horas                              

# Tianastácia

        Tenho três filhas, muito mais bonitas, as três, que o pai. Tão lindas quanto a mãe. E dois filhos, belos como o pai... No dia em que nasceu o quarto, a primeira estava fazendo 4 anos.
A diferença de idade entre os dois filhos é de pouco menos de um ano e meio.
Quando estavam perto dos treze anos, me pediram dois presentes. Beto queria um baixo, Antônio Júlio, uma guitarra: “vamos criar uma banda de rock”, informaram.
Nunca gostei de rock, nem de roqueiros: para mim, eram só barulho e barulhentos.  Passei “imune” pelo Elvis Presley e outros. Só comecei a apreciar Beatles e assemelhados depois, bem depois da banda de meus filhos e seus amigos.
Dariam para escrever um livro as histórias de qualquer banda. A deles também. Não me animo, embora tenha guardado quase tudo que saiu em jornais e revistas sobre eles.
Não vou cansar a beleza de possíveis leitores, só vou contar, do modo mais resumido possível, três historinhas deles:
1. Mostraram-me alguns nomes que imaginaram para a banda, um deles TIANASTÁCIA, assim, tudo junto. Porque passaram a infância vendo e lendo Monteiro Lobato,  porque a mãe deles tem o sobrenome do famoso escritor, porque combinaram que todas as letras seriam deles e só em Português, porque queriam prestar uma homenagem à mulher brasileira. Estimulei meus filhos a se decidirem por TIANASTÁCIA.
2. A barulheira infernal dos primeiros tempos, na garagem ou no terraço de nossa casa, me incomodava demais da conta. Mas, pai é pai... aguentei calado. Os vizinhos, educados, não se manifestaram, com exceção de um, que eu tenho vários motivos para considerar um legítimo fdp, mesmo desconhecendo a mãe do dito-cujo. Uma noite, os meninos em pleno ensaio, um carro da polícia parou em nossa porta, me chamaram. O sargento, educadíssimo, me informou que o vizinho estava reclamando do barulho. Expliquei a ele minha respeitosa opinião sobre o reclamante e informei que, toda noite, até às dez horas, meus filhos e amigos fariam todo o barulho que quisessem.  Depois, respeitariam a lei do silêncio, vigente em BH.  O sargento achou graça, riu, ficou do nosso lado. Mas de vez em quando parava de novo e me chamava:  “Desculpe,  professor, mas o fdp reclamou de novo”. E se despedia sorridente. O vizinho mudou de bairro, a banda se tornou um sucesso.
3. O primeiro baterista da TIANASTÁCIA morreu prematuramente. Nunca me esquecerei de meus dois filhos abraçados e, junto com os outros músicos e a quase multidão que foi ao cemitério (eles já tinham até fã-clube por aqui), chorando e cantando, na hora do enterro, “Jesus Cristinho, alumia nós...”, um dos sucessos da banda.

    TIANASTÁCIA vai colecionando êxitos. Tocou e toca em eventos importantes em BH. Já se exibiu em dezenas de cidades mineiras e de outros Estados, especialmente Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia. A música “O Sol”, composta por Antônio Júlio para minha mulher, gravada por TIANASTÁCIA, pela banda Jota Quest e, recentemente, pelo Milton Nascimento, já foi tema musical em novela da Globo, é tocada e cantada  em todo o Brasil e, no Ceará, dizem, é mais popular que o Ciro Gomes...
Como já está definido que “gente do Caminho de São José” são todos os nascidos em Barra Longa e Rio Doce e seus descendentes, TIANASTÁCIA é uma legítima banda da gente desse nosso caminho.
Ah! Não posso deixar de contar que o baterista é o Glauco (considerado por quem entende do assunto um dos melhores do país) e os dois vocalistas, donos de belas vozes, são o Podé (Paulo André) e o Maurinho.
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E o “sô” Barreto aqui às vezes diz que adora “rock-and-roll” desde os tempos em que era o Dodão em Rio Doce...