Rio Doce Terra

# Nossa história

Juninho Lobo

 

No final do século XVII  começou-se a povoar o nosso estado . Foi nessa época que veio para nossa região muita pessoas atraídas pelo ouro . Há quem digas que teve muita gente que morreu de fome com as mãos cheia do metal dourado ...

Os primeiro desbravadores do córrego das Lages ,na região de Rio Doce foram:Antônio Pereira do Lago ,Manoel Coelho Vaz e outros . Também foi constatado por historiadores que muitos dos colonizadores que em nossa Rio Doce e arredores chegaram , eram pessoas ilustres ligadas à corte do imperador D.Pedro II .
   Sabemos que a estrada de ferro foi um dos feitos que fez surgir nossa cidade e pela influência política de 2 senadores fazendeiros em nossa região , a ferrovia tomou rumo em sentido a Rio Doce  . Estes senadores era ,Francisco de Paula da Silveira Lobo proprietário da fazenda do Marimbondo e o Senador Torres , proprietário da fazenda do Jaracatiá .
 
Antônio da conceição Saraiva , o “Pai Ava” , “fundador de Rio Doce” , chegou aqui para trabalhar na construção da ferrovia e nossa terrinha teve no ano de 1884 sua fundação . O fundador e sua esposa Virginia , chegaram ao Soberbo em 23/06/1861.

Em 1876 , engenheiros da estrada de ferro Cantagalo , respeitando a capela já existentes e algumas casas , traçaram um quadrado o qual deu origem ao seu adro.

As casas dos Torres foram as primeiras construídas no intuito de se formar uma vila .Estas casas se localizavam hoje onde é a residência de Carmem Neide e Chico Japão , na  rua Coronel Bessa 137 e 139 respectivamente e a outra casa na Travessa Trindade , hoje residência de Ladinho Moura .

Outra curiosidade é que em uma carta endereçada pelo padre Manoel Teixeira ao bispo em 10/01/1887 ,ele informa que a Vila perobas passou a chamar-se Rio Doce . Porém o primeiro nome de Rio Doce foi “Perobas” , provavelmente pela abundância dessa árvore nas imediações de sua sede.
Outra informação importante foi que após ter vendido a fazenda da ponte ,nosso fundador instalou sua residência no local onde hoje é residência dos herdeiros do sr. Hélio Palermo.

A partir de 1884 com inauguração da capela e de 1885 com o término da construção da estrada de ferro em 21/12/1885 , o arraial começa a crescer. A agropecuária começa a despontar .Lavouras de café , feijão milho e fumo são implantadas .Também começa a ser manejada a pecuária de corte e leiteira .

Bem antes da lei da abolição da escravatura a imigração estrangeira já vinha sendo estimulada em virtude da fuga de escravos .Muitas colheitas se perderam por falta de mão de obra . Daí em diante começaram a se instalarem os imigrantes ;

Na década de 1890-1900 ,chegaram o sr. JoaquimYsquierdo ”natural de Cadiz na Espanha” ,ele era farmacêutico . Sr. Caetano Cenachi  chegou em 1898 com sua esposa Gertrudes Tinareli Cenachi vindos de Rio Casca e a 2 anos antes vindos da Itália da região de Castel São Pietro .Chegaram a Rio Doce e se instalaram no Sítio Perobas . Já em 1902 chegaram os Portugueses Augusto Pereira Gomes e Antônio Pereira Gomes . Adquiriram um comércio e o chamaram de “Pereira e Pereira” onde hoje se localiza a Padaria Santana . Também nesta época chegou o sr.Josephino Alves Caldeira com sua família , ele também era farmacêutico .

Na década de 1910-1920 , mais precisamente em 1912 vindos de Urucania chegou o sr. Antônio Natali onde se instalou na fazenda das Posse  e também os Prandini nos 14 alqueires .

Conforme o censo de 1920 a população era de 3341 pessoas , das quais 3000 era pertencente a zona rural . A imigração continuava e de além-mares chegavam os turcos e Libaneses , todos comerciantes . Eles eram sr.Miguel Jorge Sabra , sr.Semião João ,natural de Zahle , no Líbano .Também podemos citar os srs. Jorge Christo ,Elias Daibs ,José Elias Tarxixe e outros .

Na década de 20 chegou de Santa Cruz do Escalvado o sr. Luiz Antônio Nascimento com sua esposa dona Maricas .Em 1922 era a vez de João Pereira da Silva com sua esposa dona Ernestina .Ele adquiriu várias fazendas da região como : Fazenda das Lages , Marimbondo , Bom retiro , Corguinho ,Porto das Canoas e outras. Para trabalhar com o sr. João Pereira nas fazendas ,chegou de Guarani o sr. Luiz Galinari , era oriundo de Veneza .

Para fixar , em definitivo , sua residência em Rio Doce , em novembro de 1923 retornou da Itália para onde fora logo após a guerra de 1914-1918 , o sr. Salvador Real , já casado com dona Giuseppina Ferrari, “Dona Pepina” e seus 3 filhos menores:Paschoal , Marieta e José Real .

Já em 1924 chegou o Dr. Antônio Rosa , natural de Mantuã na Itália . Era casado pela 2ª vez com dona Maria Elisa Machado Guimarães “Dona cota” . Ele era agrimensor formado pela Universidade de Milão .Além da fábrica de bebidas que possuia , também criou a fábrica de molhos: “Rei dos Molhos”. Era tanta gente chegando e empreendimentos surgindo , que Rio Doce possuía 2 hoteis .

Também no final da década de 20 e inicio da de 30 chegaram as famílias Corsini , Ferrari e Chianelli . Em 1929 chegou o sr. Vitório Corsini vindo de Genova na Itália com seu pai Jacob Corsini , que veio na imigração de 1882 . Ele  trabalhou na fazenda do Paraíso antes de se instalar definitivamente na região do Jorge . Em 1933 foi a vez do sr. Biaggio Ferrari e o sr. Orlando Chianelli , ambos vindos do Cocenza, na Itália .A família de sr. Orlando permaneceu pouco tempo em Rio Doce e se instalaram definitivamente no Rio de Janeiro .
Chegaram também 7 alfaiates: 2 vindos de Barra Longa :Sr Geraldo de Freitas Teixeira “Nozinho”que depois veio a se formar em Odontologia , e sr.Domingos trindade que logo depois retornou a suas origens e de Santa Cruz do Escalvado vieram o sr.Álvaro Celino Gomes “Sô Vico” ,Sr. Mário Lana e outros .

Em 1929 com a crise internacional do café ,muitas destas lavouras foram sendo dizimadas e substituídas por pastagem , ganhando assim a pecuária ,como atividade principal até os dias de hoje . Com essa nova modalidade que demandava menos mão-de-obra no campo , começaram ocorrer as mudanças de colonos do campo para a sede do município surgindo assim as ruas do Pindurico , da linha ,da caixa dágua e outras .

No início dos anos 40 ,ainda distrito , Rio Doce teve sua maior população apurada em censos:4258 pessoas das quais 1027 moravam na sede da cidade e 3231 na zona rural.

Uns dos primeiros empregadores urbano de Rio Doce foi o sr.Antônio Leôncio Carneiro “Nico de Paula”, que com sua serraria demandou trabalho para muitas pessoas .Foi para trabalhar com sô Nico , que em 1947 veio para Rio Doce os Irmão Sebastião e Olívio Pelinsari “Vica”.A família Pelinsari é oriunda da Calábria na Itália. Com o surgimento das estradas de rodagem e a menor necessidade de uso da ferrovia , o ramal ferroviário Ponte Nova –Dom Silvério foi fechado ao público em 26/8/1969 . O trem ainda circulou restritamente até 28/08/1971 .
Informações extraídas do livro (Rio Doce , doce Rio) de Hélcio Pinheiro Moura