Rio Doce Terra

# Avião de rosca

Juninho Lobo

 
Nos primórdios de sua emancipação, Rio Doce era servido pela antiga companhia de energia elétrica "Ouropretana".
A energia era limitada e com a modernidade chegando em nosso país ela foi gradativamente sendo substituída por companhias mais bem estruturadas que acompanhava o desenvolvimento do estado e de toda a nação e foi aí que a CEMIG foi se expandindo e chegou a nossa terra. No início das obras e instalação das redes, a companhia periodicamente acompanhava os trabalhos de desmatamento no local onde seria locado as linhas de transmissão, "com helicóptero", aparelho também chamado pelas crianças da época de "avião de rosca". Foi aí que num belo dia de manhã tranqüila, surgiu um bichão daqueles, "de cor verde" segundo Maurinho, sobrevoando o morro de Benevenuto com um barulhão ensurdecedor. No pátio perto da estação, crianças brincavam quando como num toque de mágica surgiu aquele aparelho de nome complicado flutuando sobre o morro bem baixinho. Supostamente os observadores "crianças e adultos", acreditaram que aquela máquina voadora estava caindo e foram em desparada morro acima em busca de destroços daquela aeronave. Segundo informações de fontes certeiras, algumas crianças gritavam as seguintes frases: O papa-vento é meu, o rádio é meu, os pezinhos são meus... Se referiam as hélices, rádio e o trem de pouso...
As mesmas fontes seguras disseram que o primeiro menino que chegou lá na "piçarra", local onde supostamente poderia ter caído o helicóptero da Cemig, foi o Nonô .
Foi uma decepção a todos. O tal avião de rosca já estava lá em Alvinópolis firme ,forte e salvo. Além do rapidíssimo Nonô, participaram da busca: Nuchinha, Maurinho, Ieie de Dely, Zezinho, Afonso Carijó, Saulinho e muitos adultos da época que vamos nos conter em cita-los.
O mais incrível é que essas crianças acima relacionadas nunca admitiram que correram um dia sequer de suas vidas atrás de um helicóptero.